PASSAR À AÇÃO

Viver de forma sustentável significa encontrar formas de desenvolvimento que promovam a melhoria da qualidade de vida de todos, sem causar danos para o ambiente, “armazenar” problemas para as gerações futuras, ou transferir dificuldades para alguém numa outra parte do mundo.

Implica também perceber que a inação tem consequências e que temos o dever de encontrar formas de inovação e renovação a todos os níveis da sociedade.

O desenvolvimento sustentável não é um conceito técnico e “fechado”, mas antes um projeto em constante desenvolvimento para o futuro da humanidade na Terra, um percurso de aprendizagem e de permanente abertura à melhoria e a novas formas de pensamento.

A prática do desenvolvimento sustentável integra o conhecimento, os valores e as competências dos diferentes contextos sociais, culturais e históricos. Uma vez que se depara com desafios de natureza local e/ou global, o envolvimento com o desenvolvimento sustentável ajuda a integrar as diferentes formas de conhecimento local e global, estimula a partilha da aprendizagem entre pessoas de diferentes partes do mundo e portanto de contextos diversos, promovendo assim o diálogo multicultural, enquanto se identificam problemas e encontram soluções locais.



Conhecimento – a base do desenvolvimento sustentável

A multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e a dinâmica entre níveis de abordagem associados à sustentabilidade, exigem a capacidade de observar “o todo”, localizar-se dentro dele e entender as relações que existem entre ambiente, economia e sociedade. Deste modo, potencia-se a ligação entre formas locais e globais de conhecimento, do passado e do futuro, que conduzem a novas soluções para os problemas contemporâneos.


Valores – o suporte do desenvolvimento sustentável

De entre a enorme diversidade de culturas e formas de vida, todos pertencemos a uma comunidade global. Esta perceção traz consigo a responsabilidade ética de viver de forma sustentável, com base em princípios de equidade, respeito pela natureza, direitos humanos universais, justiça económica e cultivo da paz e compreensão.

Uma das expressões desta ética é a Carta da Terra (aprovada na Conferência Global da UNESCO em 2003), produto de mais de uma década de diálogo intercultural sobre objetivos e valores comuns a todas as sociedades. Baseia-se em princípios de paz, justiça social e direito ao desenvolvimento sustentável, com o objetivo de fornecer um conjunto internacional de valores e comportamentos para consideração e adaptação aos contextos locais.


Organização do pensamento e capacidade de decisão – o fortalecimento do desenvolvimento sustentável

Os estudantes de hoje serão os decisores de amanhã, e as questões que irão surgir serão certamente diferentes das que hoje se nos deparam. Assim, devemos todos criar oportunidades para desenvolver o pensamento e a capacidade de decisão necessários à permanente adaptação pró-ativa em direção à sustentabilidade.

Teremos de estar abertos a aprender a pensar cada vez mais de forma analítica e criativa, a formar e defender princípios, que nos conduzam a um dia a dia cada vez mais sustentável. Manter-nos cientes das consequências futuras das decisões e ações, participar na tomada de decisão de forma informada e ética, e trabalhar para encontrar soluções inovadoras para problemas complexos.


Cidadania Informada – integração de conhecimentos, competências e valores

O ingrediente-chave do sucesso de uma cidadania activa é partir de perguntas sobre os assuntos do nosso quotidiano. Este interesse proporciona a criação de oportunidades de aprendizagem estruturada, bem como de experiências de desenvolvimento de competências de análise e ação através da implementação de projetos de base comunitária e envolvimento em práticas de desenvolvimento sustentável no meio que nos está mais próximo (no nosso bairro, localidade ou na escola, por exemplo).

Além desta ação local, a procura da sustentabilidade para este pequeno e complexo planeta em que vivemos, levanta a necessidade de despertarmos a nossa “cidadania global” e criar mecanismos de cooperação e negociação global para resolver questões como, por exemplo, as alterações climáticas.

A aptidão para a ação é uma maneira de descrever a capacidade de imaginar alternativas, esclarecer e encontrar consensos entre valores e interesses, e fazer escolhas entre as diferentes visões sobre “o mundo”.

Analisar, planear, agir e avaliar as ações, são comportamentos essenciais para uma cidadania ativa e informada.